Alta dos juros, queda das commodities, custos elevados e eventos climáticos aumentam pressão sobre produtores
O agronegócio brasileiro atravessa um período de forte pressão financeira, marcado pela combinação de endividamento, custos elevados, juros altos, oscilações nos preços das commodities e perdas provocadas pelo clima.
Dados citados em levantamento publicado neste sábado apontam que a inadimplência no setor alcançou R$ 48 bilhões em junho de 2025. O montante representa crescimento expressivo em relação aos R$ 2 bilhões registrados cinco anos antes.
O cenário afeta especialmente produtores que ampliaram investimentos durante o período de preços elevados das commodities e crédito mais barato.
Crédito barato deu lugar a juros elevados
A partir de 2020, a valorização de produtos como soja, milho e carne estimulou investimentos em máquinas, terras, armazenagem e expansão das áreas produtivas.
Naquele período, a taxa básica de juros chegou a 2% ao ano, favorecendo a contratação de financiamentos.
O cenário mudou nos anos seguintes. A queda dos preços de diversas commodities ocorreu simultaneamente ao aumento dos custos de produção e à elevação dos juros.
A soja é um dos exemplos citados. Em Mato Grosso, a saca de 60 quilos, que chegou a superar R$ 190 em março de 2022, posteriormente recuou para patamares próximos de R$ 105.
Clima amplia prejuízos
Além dos fatores financeiros, produtores enfrentaram períodos de seca e eventos de chuva intensa em diferentes regiões do país.
As perdas provocadas por eventos climáticos ganham peso especialmente entre agricultores com cobertura insuficiente de seguro rural. Quando uma lavoura é perdida, o produtor continua obrigado a honrar compromissos assumidos com bancos, fornecedores e trabalhadores.
Ao mesmo tempo, fertilizantes, defensivos, máquinas e outros insumos permanecem sujeitos às variações do câmbio e do mercado internacional.
Renegociação exige critérios
O cenário coloca em debate a necessidade de mecanismos de renegociação de dívidas, ampliação do seguro rural e instrumentos capazes de reduzir os impactos de eventos climáticos e oscilações de mercado.
A discussão também envolve critérios para diferenciar situações provocadas por fatores externos daqueles casos em que houve assunção excessiva de riscos financeiros.
Para um setor com forte peso na economia de Mato Grosso do Sul, a capacidade de enfrentar o endividamento rural tem reflexos que ultrapassam as propriedades e atingem cadeias de produção, empregos, fornecedores e municípios dependentes da atividade agropecuária.
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