Saídas foram a pedido. A terceira foi publicada dois dias depois de o Conectados no MS revelar serviços sem contrato e pagamentos parados na tecnologia da prefeitura.
A Agência Municipal de Tecnologia da Informação e Inovação (Agetec), responsável pelos sistemas e pela rede da Prefeitura de Campo Grande, perdeu três ocupantes de cargos em comissão em menos de três semanas. Os três pediram para sair. As exonerações foram publicadas no Diogrande nos dias 8 e 9 de outubro.
As saídas acontecem enquanto a Agência mantém serviços essenciais funcionando sem contrato desde abril e acumula pagamentos atrasados a fornecedores desde maio, como mostrou o Conectados no MS em 7 de outubro.
As três exonerações
As duas primeiras saíram na edição de quinta-feira (8). Os decretos foram assinados em 7 de outubro, mesmo dia da reportagem, mas têm efeito retroativo: um a partir de 1º de outubro, outro a partir do dia 6. Os dois ocupavam cargos de Direção e Assessoramento de Tecnologia da Informação, símbolo DTI-09.
A terceira veio numa edição extra na sexta-feira (9). O Decreto “PE” n. 2.219 exonera, a pedido, o ocupante de um cargo de mesmo nome, símbolo DTI-08. Ao contrário das anteriores, o desligamento só vale a partir de 19 de outubro.
Os três pedidos chegaram à Prefeitura por ofícios da Diretoria de Administração e Finanças da Agetec, numerados em sequência: 771, 772 e 774. Os atos não informam o motivo das saídas nem a função que cada servidor exercia.
O Conectados no MS perguntou à prefeitura e à Agetec se as saídas têm relação com os contratos vencidos e os pagamentos atrasados e, como sempre, nós e a população de Campo Grande seguimos sem resposta.
A licitação do service desk
No mesmo dia das duas primeiras exonerações, a prefeitura lançou um pregão eletrônico estimado em cerca de R$ 15,4 milhões, por 24 meses, para operação de service desk e suporte técnico aos usuários dos sistemas municipais. A disputa está marcada para 28 de outubro.
O service desk é operado pela Inovvati Tecnologia desde 2020. O contrato 212/2020 começou em R$ 1,85 milhão e, após nove aditivos, chegou a R$ 18,1 milhões, a cerca de R$ 302,4 mil por mês. O último prazo venceu em 9 de junho, sem licitação concluída. Desde então, segundo documentos levantados pelo Conectados no MS, a empresa segue prestando o serviço sem contrato e sem empenho, e a prefeitura deve R$ 393,2 mil já atestados.
O valor estimado do novo pregão equivale a cerca de R$ 642 mil por mês, mais que o dobro do que a Inovvati recebia. O edital inclui software de gestão de serviços e prova de conceito, o que pode explicar parte da diferença.
O que continua sem resposta
O data center alugado da Pro-Info, sem contrato desde 29 de abril, não tem substituto anunciado. Também não há explicação para os mais de R$ 2,3 milhões em serviços de TI atestados e não pagos, nem para a diferença de prazo entre a Agetec e a Secretaria de Fazenda no pagamento de fornecedores.
O Conectados no MS enviou os questionamentos da reportagem de 7 de outubro à Prefeitura, à Agetec, à Fazenda e às empresas citadas. Até a publicação deste texto, nenhuma das partes havia respondido. O espaço segue aberto.
Leia a reportagem original: Sem contrato, sem empenho e sem pagamento: a pane silenciosa na tecnologia da Prefeitura de Campo Grande
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