Benefício deveria ser depositado em novembro; equipe responsável pela gestão provisória afirma não ter disponibilidade financeira, enquanto salários e 13º são apontados como prioridades
O pagamento da segunda parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) dos trabalhadores do transporte coletivo urbano de Campo Grande foi adiado por dois meses. A decisão foi comunicada pela equipe responsável pela intervenção no Consórcio Guaicurus e envolve um benefício estimado em R$ 1,9 mil por funcionário. Apesar da insatisfação com a mudança no calendário, o sindicato da categoria descarta, neste momento, a realização de uma greve.
A parcela estava prevista para 22 de novembro. Segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-CG), a equipe interventora alegou dificuldades para reunir os recursos necessários ao pagamento diante da concentração de compromissos financeiros no fim do ano.
O presidente do sindicato, Demétrio Freitas, reconheceu a frustração dos trabalhadores, mas afirmou que a categoria decidiu aguardar o cumprimento do novo compromisso. A entidade considera determinante a informação de que os salários e o décimo terceiro estariam assegurados.
A primeira parcela da PLR foi paga em maio de 2026, conforme o relato apresentado pelo sindicato. O adiamento representa, segundo a reportagem original do Midiamax, o primeiro atraso de pagamento aos trabalhadores desde o início da intervenção na administração do sistema.
Intervenção ocorre em meio à crise do transporte
A intervenção municipal no Consórcio Guaicurus foi decretada em junho de 2026, transferindo temporariamente a gestão do sistema para uma equipe designada pelo poder público. A medida foi apresentada como instrumento para investigar problemas operacionais e administrativos e buscar maior regularidade na prestação do serviço.
O procedimento ocorre em meio a uma crise que envolve a qualidade da operação, as condições da frota, a execução das viagens e o equilíbrio financeiro da concessão. Relatórios preliminares divulgados durante a intervenção apontaram problemas de operação e manutenção, enquanto o consórcio também apresentou questionamentos sobre receitas, subsídios e obrigações financeiras do sistema. Essas questões seguem inseridas em uma disputa administrativa mais ampla, com versões distintas sobre as causas dos problemas.
Para os trabalhadores, o adiamento da PLR reacende a preocupação com a previsibilidade dos pagamentos. Embora o sindicato tenha descartado uma paralisação neste momento, a manutenção dessa posição depende, na prática, do cumprimento dos compromissos assumidos pela gestão provisória.
Salários e décimo terceiro são apontados como prioridade
De acordo com o sindicato, a equipe interventora informou que o caixa disponível permitiria honrar os salários e o décimo terceiro, mas não o pagamento da PLR no prazo originalmente previsto. A entidade optou por aguardar a nova data, sem anunciar mobilização ou paralisação.
A equipe responsável pela intervenção foi procurada pelo Midiamax para esclarecer as razões do adiamento, o impacto financeiro da parcela e a previsão para o pagamento, mas não havia respondido até a publicação da reportagem original.
O caso mantém em evidência um ponto sensível da intervenção: além de reorganizar a prestação do transporte coletivo, a administração provisória precisa dar previsibilidade às obrigações trabalhistas e demonstrar transparência sobre a disponibilidade financeira do sistema.
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