Riedel ganha, mas quem manda é Reinaldo: secretários torram R$ 7 milhões, mas ninguém se elege

Política

Eduardo Riedel (PP) saiu das urnas com uma votação histórica, reeleito no primeiro turno com 67% dos votos válidos. Mas, dois dias depois da festa, o Palácio já respira um clima de acerto de contas. A primeira cabeça a sair é a do chefe da Comunicação, e o motivo, segundo os bastidores, tem nome e sobrenome: o fiasco eleitoral do núcleo mais próximo do governador.

Enquanto os secretários de Riedel gastaram milhões e voltaram de mãos vazias, os nomes ligados a Reinaldo Azambuja (PL) dominaram a eleição. O resultado deixa um recado claro: Riedel ganhou o governo, mas quem saiu mais forte foi o padrinho.

O fiasco: seis disputaram, nenhum se elegeu

O resultado das urnas foi implacável com a equipe do governador. Todos os auxiliares que disputaram a eleição ficaram de fora, mesmo com campanhas milionárias e a força de uma reeleição em primeiro turno puxando a chapa.

Tabela com os seis auxiliares do governo Riedel que disputaram a eleição e não se elegeram, com votos, arrecadação e custo por voto.
  • Jaime Verruck (Republicanos): homem forte da área econômica nos oito anos de Reinaldo Azambuja e apontado como o preferido de Riedel. Na primeira disputa, foi o que mais arrecadou: R$ 2,375 milhões. Teve 49.585 votos (3,49%) e não chegou à Câmara dos Deputados.
  • Viviane Luiza (PSDB): ex-secretária de Cidadania, também estreante. Segundo os bastidores, havia uma chapa preparada no PSDB para elegê-la. Arrecadou R$ 875 mil e fez 45.083 votos (3,17%).
  • Marcelo Miranda (PP): ex-secretário de Turismo, Esporte e Cultura, recebeu R$ 1,05 milhão e teve 23.112 votos (1,63%) para deputado estadual. Ficou como primeiro suplente da federação PP-União.
  • Eduardo Rocha (PSDB): ex-chefe da Casa Civil, um dos cargos mais poderosos do governo, também recebeu R$ 1,05 milhão e passou longe da Assembleia, com 15.782 votos (1,11%).
  • Dione Hashioka (União): secretária adjunta de Educação, recebeu R$ 1.063.260 do fundo partidário, repassados pela Direção Nacional do União, e fez 15.244 votos para deputada estadual.
  • Fernando Souza (PP): subsecretário de Povos Originários, teve R$ 711.550 para a campanha e apenas 1.707 votos.

R$ 7,1 milhões para nada

Somados, os seis auxiliares do governador tiveram R$ 7,12 milhões em recursos de campanha e obtiveram 150.513 votos. É apenas 16% da votação que o próprio Riedel teve sozinho: 914.323 votos.

Gráfico do custo por voto dos auxiliares de Riedel: Fernando Souza R$ 416,84, Dione Hashioka R$ 69,75, Eduardo Rocha R$ 66,53, Jaime Verruck R$ 47,90, Marcelo Miranda R$ 45,43 e Viviane Luiza R$ 19,41.

O caso mais gritante é o de Fernando Souza: com R$ 711.550 e apenas 1.707 votos, cada voto do subsecretário custou R$ 416,84. Na sequência aparecem Dione Hashioka, com R$ 69,75 por voto, bancados quase todos com dinheiro do fundo partidário, e o ex-chefe da Casa Civil, Eduardo Rocha, com R$ 66,53.

Jaime Verruck, dono da maior arrecadação, pagou R$ 47,90 por voto. A campanha mais eficiente foi a de Viviane Luiza, com R$ 19,41 por voto, mas nem assim ela chegou perto de uma cadeira.

R$ 416,84 por voto: o preço de cada um dos 1.707 votos do subsecretário Fernando Souza.

O placar do poder

Do outro lado da coligação, o cenário é o oposto. Reinaldo Azambuja, que deixou o PSDB para assumir o comando do PL em Mato Grosso do Sul, foi eleito senador com cerca de 34,8% dos votos válidos e levou junto Capitão Contar (PL), com cerca de 33,2%. As duas vagas do Senado ficaram com o partido do ex-governador.

Placar da eleição: secretários de Riedel tiveram zero eleitos entre seis candidatos, enquanto o PL de Reinaldo Azambuja conquistou 14 cadeiras, entre Senado, Assembleia e Câmara.

O PL também fez a maior bancada da Assembleia Legislativa, com 9 das 24 cadeiras, e a maior bancada federal do Estado, com 3 das 8 vagas: Marcos Pollon, Mara Caseiro e Rodolfo Nogueira. São 14 cadeiras para o grupo de Reinaldo. O PP de Riedel, em federação com o União Brasil, ficou com 4 deputados estaduais e 2 federais.

Por que os aliados de Riedel não decolaram

A comparação expõe uma diferença de estratégia. Reinaldo concentrou seu grupo em um único partido, o PL, e montou chapas competitivas para o Senado, a Assembleia e a Câmara. O núcleo de Riedel, ao contrário, foi espalhado em quatro legendas (PP, PSDB, Republicanos e União) e disputou com nomes de perfil mais técnico, parte deles estreantes nas urnas.

A votação histórica do governador, por sua vez, não se transferiu. O eleitor que votou em Riedel para o governo não seguiu a indicação dele para o Legislativo.

Análise: Riedel vence, Reinaldo manda

O governador ainda não conseguiu fortalecer seus aliados diretos e, na partilha da vitória, precisa render os louros ao padrinho político. Não foi nesta eleição que Riedel conquistou sua independência. Pelo contrário: entra no segundo mandato devendo ainda mais a Reinaldo Azambuja, que agora terá dois senadores, a maior bancada da Assembleia e a maior bancada federal do Estado.

Na prática, qualquer projeto do governo na Assembleia terá de passar por negociação com a bancada do PL, a maior da Casa. E a sucessão de 2030, quando Riedel não poderá disputar um terceiro mandato, começa a ser desenhada com o grupo de Reinaldo em posição de vantagem.

O que vem pela frente

A troca na Comunicação pode ser apenas o primeiro movimento de uma reforma mais ampla no secretariado para o segundo mandato. Com o núcleo político derrotado nas urnas, Riedel terá de decidir se recompõe a equipe com nomes próprios ou se abre ainda mais espaço para os aliados de Reinaldo.

O espaço está aberto para manifestação do Governo do Estado e dos citados.

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