Presidente do Legislativo afirma que a iniciativa de investigar os contratos não representa provocação à prefeita Adriane Lopes; vereadores cobram respostas sobre a conservação das ruas e defendem transparência.
A crise na conservação da malha viária de Campo Grande passou a ocupar o centro das divergências entre a Câmara Municipal e a Prefeitura. Diante das reclamações sobre buracos e reparos considerados insuficientes, vereadores defendem a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para examinar a operação tapa-buracos e os contratos relacionados ao serviço.
O presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), sustenta que o Legislativo procurou manter o diálogo com o Executivo, mas não pode abrir mão de suas atribuições fiscalizatórias diante de problemas que afetam diretamente a população.
A discussão ocorre em meio a um cenário de tensão política entre os dois Poderes municipais. Segundo declarações de parlamentares divulgadas pela imprensa, a Câmara atribui ao Executivo parte da responsabilidade pelo distanciamento institucional. Essa interpretação, contudo, representa a posição dos vereadores ouvidos, e não uma conclusão independente sobre a origem do conflito.
Papy defende fiscalização sem confronto político
Na avaliação do presidente da Câmara, a CPI deve ser compreendida como um instrumento para buscar informações e cobrar resultados da administração pública.
O parlamentar afirma que os vereadores têm interesse em contribuir para a solução dos problemas urbanos, mas precisam examinar a qualidade dos reparos, os critérios de escolha das ruas atendidas e a metodologia adotada pela Prefeitura.
A iniciativa, segundo essa linha de argumentação, não deve ser interpretada como uma condenação antecipada de gestores ou empresas. O objetivo é reunir informações que permitam avaliar a execução dos serviços e identificar eventuais falhas.
Vereadores relatam tentativas anteriores de diálogo
Durante o debate, o vereador Maicon Nogueira (PP) afirmou que houve tentativas de negociação com a administração municipal e que prazos anteriormente apresentados para a execução dos trabalhos não teriam sido cumpridos, segundo seu relato.
Já Professor Riverton (PP) defendeu a CPI como mecanismo de fiscalização, ressaltando que a Prefeitura poderá apresentar documentos e informações sobre orçamento, planejamento e execução dos serviços.
A vereadora Luiza Ribeiro (PT), que participou da mobilização pela investigação, defende a apuração de questões relacionadas não apenas ao tapa-buracos, mas também ao recapeamento, ao asfaltamento e ao tratamento de vias sem pavimentação.
Contratos e qualidade dos reparos estão no foco
Um dos pontos centrais da discussão é a necessidade de avaliar se o modelo atualmente utilizado pelo Município entrega resultados compatíveis com os recursos empregados.
A investigação proposta poderá examinar os contratos vigentes, os valores destinados aos serviços, os critérios técnicos de priorização e os mecanismos de fiscalização da execução contratual.
Esses elementos são relevantes porque a manutenção viária não se resume à aplicação de massa asfáltica: a durabilidade dos reparos também depende das condições do pavimento, da preparação da superfície, da drenagem e das especificações técnicas adotadas.
Impasse político não elimina a cobrança por resultados
Além das divergências sobre a CPI, vereadores manifestaram preocupação com o clima de tensão registrado durante sessão da Câmara. Parlamentares defenderam a retomada do diálogo e a concentração de esforços na solução dos problemas enfrentados pelos moradores.
O avanço da proposta dependerá dos trâmites legislativos e da condução dos trabalhos de fiscalização. Até lá, a principal cobrança da população permanece relacionada à qualidade das vias, à transparência dos gastos e à efetividade das intervenções realizadas.
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