Enquanto contratos essenciais de tecnologia venciam e fornecedores acumulavam milhões a receber, órgão responsável pelo controle interno tinha seu titular em atos da campanha de Lídio Lopes.
A Prefeitura de Campo Grande chegou a uma situação delicada na área de tecnologia. Contratos essenciais venceram, serviços continuaram sendo prestados sem cobertura contratual e fornecedores acumulavam mais de R$ 2,3 milhões em valores atestados e não pagos.

O problema envolve serviços que mantêm a máquina pública funcionando: data center, suporte técnico, sustentação de sistemas, links de comunicação e outros serviços de tecnologia.
O contrato do data center, por exemplo, terminou em 29 de abril de 2026, sem uma nova contratação concluída. Já o contrato da Inovvati, responsável pelo suporte técnico e atendimento de informática, terminou em 9 de junho, mas a empresa continuou prestando o serviço.
Em pelo menos um desses casos, a Prefeitura ficou diante de uma situação em que, sem contrato e sem empenho, eventual pagamento dependeria de reconhecimento de dívida e da apuração de quem deu causa à situação. Segundo o levantamento do Conectados no MS, esse tipo de procedimento já apareceu ao menos 11 vezes em 2026.
É nesse cenário que entra a Controladoria-Geral do Município.
O órgão é responsável pelo controle interno da administração municipal e deveria estar atento justamente a contratos, despesas, pagamentos e possíveis riscos para o funcionamento da Prefeitura.
Mas, durante o período eleitoral, imagens chamaram atenção.
O controlador-geral Elton Dione de Souza aparece em atos relacionados à campanha de Lídio Lopes, marido da prefeita Adriane Lopes. Veja:

Uma das imagens mostra Elton ao lado de apoiadores. Outra publicação associada ao seu perfil registra a comemoração da eleição de Lídio.
E aqui está o ponto que merece explicação.
Enquanto a estrutura tecnológica da Prefeitura chegava ao limite, qual era a atuação da Controladoria sobre esses contratos?
A pergunta ganha ainda mais força diante de outro caso revelado nesta semana.
Auditoria do Sistema Nacional de Auditoria do SUS identificou falhas na condução e fiscalização de contrato relacionado à manutenção das ambulâncias do Samu. O levantamento apontou, entre outros problemas, pagamentos de R$ 1,9 milhão por 15 meses de serviço e determinou a devolução de R$ 345,3 mil por aplicação indevida de recursos.
E a Controladoria?
A questão não é discutir o direito de um servidor participar da vida política.
O que interessa ao contribuinte é saber como o órgão de controle interno atuou enquanto esses problemas aconteciam.
A Controladoria identificou os contratos de tecnologia que venceram sem substituição?
Alertou a Prefeitura?
Acompanhou a continuidade dos serviços sem contrato?
Identificou os problemas apontados posteriormente na auditoria do Samu?
Quantas fiscalizações e auditorias foram realizadas durante o período eleitoral?
E quais providências foram tomadas?
Os registros oficiais mostram que Elton Dione continuava exercendo formalmente o cargo de Controlador-Geral durante o periodo eleitoral.
Ou seja: a Controladoria continuava funcionando.
Por isso, a pergunta não é se o órgão existia.
É o que estava fazendo enquanto problemas dessa dimensão aconteciam dentro da Prefeitura.
Afinal, enquanto a Prefeitura chegava à beira de um apagão digital, a Controladoria estava controlando os problemas da administração ou acompanhando a campanha do marido da prefeita?
O Conectados no MS encaminhou questionamentos à Controladoria e a Elton Dione de Souza e deixa aberto o espaço para esclarecimentos, documentos e informações sobre a atuação do órgão durante o período eleitoral.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
